Reflexões sobre o tempo na Holanda
Numa semana pós-férias e de novos passos na vida profissional de expatriada, uma coisa não saiu da minha cabeça: o tempo. Seja por sua escassez ou pelo seu inexorável tique-taque, nos últimos dias, tenho me dado conta de noção de tempo aqui é mais cristalina do que quando morava no Brasil.
A agenda, ícone da vida social holandesa, certamente tem a sua razão de ser. Aqui tem-se o tempo determinado para tudo: se quiser flores no seu jardim, tem que se programar para comprá-las e cuidar delas, se quiser usar sandálias e aquele vestido floral, aproveite os escassos dias de sol, se quiser sentar com amigos num terraço ou numa praça cheia de gente alegre, não espere pelo próximo dia de calor. Com as estações bem marcadas, tudo se encaixa em um determinado ritmo. O tempo nos abre janelas em períodos determinados e se não fomos sábios o suficiente para ver e viver esses momentos, teremos que esperar por mais ciclo.
De repente, vejo que na suposta “bagunça organizada” do brazilian way of life existe muita fartura. Podemos viver várias coisas ao mesmo tempo. De repente pinta aquele dia de praia no inverno, as sandálias convivem com os sapatos no outono e a temperatura, na maioria das vezes, nos permite aproveitar um ar fresco, sem que isso signifique está coberta dos pés à cabeça a ainda assim, tiritando de frio. A agenda parece ter linhas de elástico e a flexibilidade é levada a extremos. Assim, nesta semana, quando pensava no Brasil, o título do álbum do Titãs pipocava na minha mente: Tudo ao Mesmo Tempo Agora.
Divagava enquanto pedalava indo e/ou voltando para o trabalho: até que ponto, a disponibilidade do tempo e a forma em que ele se distribui influencia na nossa cultura e comportamento como povo? E a cada pedalada também tentava encaixar todas as atividades que gosto tanto de fazer na minha nova rotina. É, a vida me abriu uma nova janela, agora preciso ser sábia para usar o meu tempo e extrair o máximo do momento. Para isso, com as palavras de Caetano, rogo ao tempo:
“Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo”
httpv://www.youtube.com/watch?v=PhSpjxxC31E
Imagem: iselinge.nl









É um post para reflexão… Eu sempre acho que meu tempo é muito pouco para fazer as coisas que gosto realmente!
Bjs.
Pois é, desde que cheguei na Holanda, tento me adaptar à maior rigidez de organização.
Mas como tudo na vida, ser uma pessoa extremamente organizada ( com pouca flexibilidade) tem um lado bom e um lado ruim. Afinal , um pouco de descontração e uma surpresinha de vez em qdo ( como receber alguma visita inesperada)ajuda a deixar nossa vida mais animada!!
Beijoquinhas!!!
a foto do grafiti de principesa com a bicicleta está INCRÍVEL!
Claudia e Sheila, é aquela historia. Tudo tem seu pros e contras, né?
Obrigada Adriana! Também adorei essa foto. Quando saltei do carro e vi a declaracao de amor na parede, apaixonei.
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