Zeeland. O restaurante e o final de semana
A viagem até Zeeland foi tranquila. A paisagem plana da Holanda se tornava ainda mais plana – se é que possível – e as casas cada vez mais espaçadas. Durante as duas horas de viagem me esforçava para ser sociável e manter o papo com as pessoas no carro, enquanto um delicado sol de inverno fazia cócegas em meu rosto. Ao mesmo tempo que tentava me concentrar em fazer frases corretas em holandês, tudo insistia em me distrair: o céu de carneirinhos, a mudança de paisagem e as infinitas linhas simétricas das estradas ladeadas por salgueiros podados (knotwilgen). Tudo parecia estar à espera do fresco impulso da primavera.
Já havia estado em Zeeland, província ao Sul da Holanda, mas nunca tinha sido tão impactada pela paisagem. A mistura de vila de pescadores e vida rural, as lindas casas de fazenda no meio do nada me lembravam cenário de filmes. Entre uma vila e outra chegamos à Breskens, uma cidade portuária fundada em 1510. E me deparo com uma simpática, mas imponente casa que guardava histórias do tempo em que havia sido delegacia de polícia: o nosso Bed & Breakfast, De Passant.
O final de semana foi todo programado por um casal de amigos, que junto conosco e mais dois casais, formavam um grupo de oito pessoas. A idéia era aproveitar a Restaurant Week para conhecermos o De Kromme Watergang e passarmos um final de semana fora.
A estadia
A De Passant tem 9 quartos, muitos para um Bed & Breakfast e poucos para um hotel/pousada. E realmente se situa na fronteira. O profissionalismo dos donos lembra mais um hotel, mas o toque pessoal e o bom gosto em cada cantinho da casa, torna o ambiente muito mais aconchegante, como num bom bed & breakfast. Fotos de época de família completam a atmosfera convidativa do local. Destaque para o café da manhã com diversos pães fresquinhos, geléias e ovos e mais delícias.
O Restaurante
Inicialmente esse post era pra falar só do restaurante, mas foram tantas as impressões no final de semana, que resolvi relatar o vi e que senti. O De Kromme Watergang está na lista dos 50 melhores da Holanda e um dos que possuem estrela do Guia Michelin. Para a minha surpresa, o restaurante se situa em Slijkplaat, uma vila composta de 2 ruas, 28 casas e em torno de 50 moradores fixos. Aliás, Zeeland aparece como uma província mais que estrelada pelo Guia Michelin. Lá também estão o Oud Sluis com 3 estrelas, Inter Scaldes com 2 estrelas e o Katservee e o Nolet com 1 estrela.
Chegamos às 19:30h e fomos recebidos com sorrisos e gentilezas. Os casacos deixados na recepção, seguimos para um salão elegante, mas longe de esnobe, que se descobria atrás de um armário com gavetas transparentes cheias de balas, bombons e delícias para a hora de despedida. A nossa mesa estava à nossa espera decorada com um coral e pães.
Para iniciar, um aperitivo com uma mistura picante de grapa e a partir daí foi uma sucessão de explosões de sabores e uma surpresa a cada prato. O cardápio da Restaurant Week incluía três pratos a um custo de 35 euros, mas tínhamos a opção de incluir mais três. E já que estamos lá, quem vai se prender aos 35 euros? Quem vai deixar de valorizar ainda mais o talento do chef com um vinho escolhido precisamente para cada prato? Primeira lição da Resturant Week: perca a ilusão de um jantar barato e aproveite a experiência ao máximo.
De kromme watergang significa, numa tradução literal, “o caminho sinuoso da água”.
Portanto guarde seus desejos carnívoros para outra vez e expanda o seu paladar para além dos fronteiras já conhecidas dos frutos do mar.
Ostras cruas com um delicado toque gengibre e pimentão, um bacalhau com um toque de tender e outras criações não menos ousadas ou talentosas. A tábua de queijos ganhou um lugar especial quando ouvi: “Ik ben de kaasmeisje”. Isso significa que os queijos que estávamos saboreando vinham da fazenda da família dela e ela era umas das que criavam aqueles queijos preciosamente distribuidos na tábua. Depois da sobremesa, um café servido na compainha de pirulitos de chocolates com diferentes coberturas e recheios. Voltamos à pousada e uma frase se repetia na minha mente: “Isso não é comida, é obra de arte”.
The day after
Já que estávamos em Zeeland, aproveitamos para ver o mar – coisa que faço sempre que posso. O vento gelado e a visão daquela praia com fileiras de tocos para fixar a areia, de certa forma me lembravam a praia de City of Angels, filme com Nicholas Cage e Meg Ryan. Apesar de longe da visão de um paraíso tropical, guardava seus encantos. Passamos pos algumas vilas, onde o tempo parece que sentou numa varanda e esqueceu de andar. Antigas igrejas, casas, fazendas e água, muita água. Sluis, a maior vila dessa região é simpática e tem uma bela torre e um movimentado centro comercial.
Zeeland
A Província de Zeeland é destino de muitos holandeses, belgas e alemães no verão. Imensos campings, trilhas e rotas de ciclismo são promessas de um verão com praias extensas e contato com a natureza. Zeeland também é a província símbolo da eterna luta da Holanda contra as águas. Lá fica o Delta Project, as comportas que, de uma maneira simplificada, controlam as águas do mar a fim de evitar uma outra tragédia como a inundação de 1953 que matou em torno de 1800 pessoas. Middelburg é a capital da província, com uma imponente construção medieval como prefeitura e um belo centro antigo.














Muito legal esse post! Deve ser realmente um lugar muito lindo!
Se um dia eu perder o medo de avião, eu me arrisco! ;P
Oi Fabiano, o lugar é lindo, mas existem tantos outros lindos pra se conhecer.. Espero que você perca o seu medo de avião logo, logo.
Obrigada pela visita e comentário
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