Páscoa. Holandesa, mas com limites.
5 abril 2010
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Em quase quatro anos de Holanda tive a mais batava das Páscoas. Pela primeira vez comemoramos a data com direito a um brunch, família reunida e alguns chocolates. Na mesa não faltaram ovos recheados, decoração com pintinhos, muito amarelo, cores e papos alegres. Mas existem coisas que vão além da minha capacidade de integração. No sábado, num jantar em casa de amigos, descobri mais uma tradição holandesa que desconhecia – e que vou continuar ignorando por completo.
Meubelboulevard
A Holanda, juntamente com a Bélgica e partes da Alemanha são os únicos países que manteem a conveniente tradição do Segundo Dia de Páscoa. O coelho não passa de novo, mas a segunda-feira pós domingo de Páscoa é feriado. Não religioso, mas um dia de descanso. Para mim, acordar tarde, botar as pernas por ar, ler o jornal inteiro ou atualizar o blog. Mas se fosse manter a tradição cabeça-de-queijo, estaria no engarrafamento, aguardando a minha vez de estacionar o carro no meubelboulevard. Meubel significa móvel em holandês. Logo, o meubelboulevard é uma área da cidade com diversas lojas relacionadas com artigos de casa. Já visualizou a cena? Carros lotados com famílias inteiras em busca da nova mesa da sala? Muito pior do que a Ikea, a Tok Stok sueca (ou seria o inverso?), em dias de domingos de compras.

Por que no Segundo Dia de Páscoa?
O Segundo Dia de Páscoa tem cara de domingo, mas para alguns funciona como sábado. Com as lojas de móveis, jardinagem e faça-você-mesmo abertas, muita gente faz desse, um dia extra pra comprar aquela estante e passar o dia se divertindo com furadeira, pregos e parafusos. Pensando bem, pode até fazer sentido; a Páscoa coincide com a chegada da primavera, que carrega uma outra tradição: a De Grote Schoonmaak, ou a grande limpeza. Depois do quase eterno inverno, é hora de abrir armários e o coração da casa para receber os ares de primaveris. E já que está tudo limpinho, porque não caprichar na decoração?
Ritual
No Volkskrant li que Menno Hurenkamp, um cientista político holandês, considera fenômeno meubelboulevard necessário por ser um ritual. Rituais preservam o sentimento de grupo, de pertencer a um “nós”. Segundo ele, a cada que vez que repetimos um ritual, relembramos que somos um grupo e que temos que cuidar um dos outros. Deixando os estudos de comportamento social à parte, apesar de agora também ser holandesa, me incluo fora desse ritual.
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Ele toca muuuuito bem.
Até mais
Segundo Natal, segundo dia de páscoa, a Holanda é cheia desses feriados extras que não tem nda haver com os originais, mas eu não reclamo não, vamos é aproveitar não é ?
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Bjos
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