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A boa filha ao blog torna

28 maio 2008 3 Comentários
Dizem que o bom filho sempre à casa retorna e aí eu pergunto: qual casa? Há quase um mês voltei à Salvador, lugar onde nasci e me criei, ou seja, minha casa. Não fui ao Rio, mas se tivesse retornado à cidade onde vivi por 12 anos, também me sentiria em casa. E, por incrível que pareça, ao retornar à Holanda e botar a chave na porta, me senti em casa. Complicado, não?! Vocês já devem estar pensando:”Ih, essa ida ao Brasil acabou de fundir a mufa já meio chamuscada da bailandesa.” Digamos que quase isso.

Home sweet home?

Estranho, amigos, muito estranho. Depois de dois anos, voltar à sua terra e ver diversos prédios onde nada existia, encontrar um trânsito recheado de psicopatas ao volante e pensar que algum dia achei isso normal. Estranhar o sotaque que por anos soou como cantiga de ninar e não reconhecer certos caminhos na sua própria cidade.

Ao mesmo tempo, é uma volta ao calor da família, ao insano e quase insustentável calor de mais de 30 graus e às cores, sons e sabores que só a Bahia tem. E se tem uma coisa da qual morria de saudades e me deleitei em Salvador foi a simpatia e a espontaneidade do povo. É aquela conversa que engata com o garçom e com a manicure, que só no Brasil tem.

Agora, existem coisas que não mudam nunca. A pressão em relação ao corpo e à beleza continuam à toda. Aconteceu duas vezes. Conversando com diferentes pessoas que estão acima do seu peso ideal – diga-se de passagem, elas e a torcida de todos os times brasileiros, incluindo a bailandesa que vos digita-, notei que da maneira como elas falavam era quase como se estivessem pedinddo desculpa por isso. Era um tal de : “Eu tô gorda, né?”, ” Você já viu como eu engordei?”. Parece que estar gordinha é quase ofensa. Não vejo isso por aqui.

O que fiz

Briguei com São Pedro, que inventou de fazer gracinha e abrir o chuveiro do andar de cima (e largar aberto), mas como sou bailandesa e não desisto nunca, me joguei pras bandas de Morro de São Paulo e lá encontrei a paz e o sol no belíssimo Anima Hotel. Altamente recomendado.

Voltando à Salvador, ainda deu pra curtir o Soho, um dos melhores e mais lindos restaurantes japoneses que conheço e o Bar da Ponta, o mais bem localizado bar do mundo. Não preciso nem falar que fui ao Bonfim, tomei sorvete de mangaba na Ribeira, comi acarajé e com a licença e a benção de todos os santos e orixás, tirei o pé da lama, meti o pé na jaca e chutei o balde. Dieta, em Salvador e na casa de mamãe é uma impossibilidade.

Apetite Cultural

Ainda deu tempo pra devorar, sem trocadilhos, o livro A Filha do Canibal, de Rosa Montero, o qual recomendo com fervor. Principalmente para as quarentinhas e quanrentonas. Também fui ao show de Maria Rita e me apaixonei pelo som de Jau, segundo show da noite. E ainda deu pra curtir um som ao vivo no Teatro do Sesi, com o artista local Alexandre Leão.

Chegando aqui, no dia seguinte, fiz uma malinha e me lancei em direção à Haia, onde fiquei por dois dias cobrindo o The Hague Jazz. Ou seja, agora chega o tempo de botar a cabeça, as coisas e a casa em ordem.

Inté povo

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3 Comments »

  • Anonymous said:

    Oiii,

    Que bom que voce voltou!!!!! ja estava com saudades de ler o seu blog. Agora quem embarca na proxima semana para Sao Paulo sou eu :) )mas so por 15 dias :( (

    beijo e seja bem vinda

    Juliette

  • JAMINE BRUNO said:

    Querida, seja bem vinda!!Bom poder reler suas aventuras ;)

  • Valerie said:

    Gostei muito do jeito que vc escreve!!!
    Bj

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