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5 meses – Retropectiva

16 novembro 2006 3 Comentários
Foi assim que amanheceu o dia em que completei 5 meses aqui na Holanda. Eram 8 horas da manhã e o sol dorminhoco, chegava preguiçoso, mas lindo de viver. Num outono com temperaturas recordes, a máxima esperada era de 17C. Só podia ser em minha homenagem, né? Se parar pra fazer uma retrospectiva de tudo o que o já aconteceu, vejo que muita coisa já passou. Já reaprendi a andar de bicicleta, fui a Terschelling, Roterdã, Amsterdã, Maastricht e ao Efteling . Já trabalhei de graça e estou no meu segundo curso de holandês. Nesse intervalo, amarguei a espera do visto de trabalho e da minha mudança. Também conheci novas pessoas, estranhei novos hábitos, me surpreendi com diferenças – já diz Caetano “é que narciso acha feio o que não é espelho” – e mais importante descobri novos talentos e possibilidades em mim mesma. Me acidentei, me preocupei e preocupei muita gente, mas tudo passou e está passando, assim como o tempo. O sol já brilhou, torrou e amainou. As folhas já encheram a paisagem de verde, mudaram de cor e coloriram tudo com tons que vão do ouro ao vermelho. Hoje caem quase como chuva, assim como a temperatura que vem caindo, mas reluta em aceitar a inexorabilidade de natureza. É, não tem jeito, o inverno vai ter que chegar algum dia. O importante que até aqui o saldo é positivo. Este é apenas um pit stop pra verdadeira corrida que começa agora. Procurar trabalho, aprender mais e mais a língua e me sentir um pouco menos estrangeira e um pouco mais em casa. Estrada longa que se percorre com passinhos de formiga e paciência zen-baiânica.
Deixo um video de Sampa pra vocês. O ambiente não tem nada a ver com aqui, mas o sentimento, a sensação de quem não está em casa é universal.

Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João
é que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
da dura poesia concreta de tuas esquinas
da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee, a tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
chamei de mau gosto o que vi
de mau gosto, mau gosto
é que Narciso acha feio o que não é espelho
e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
afasto o que não conheço
e quem vem de outro sonho feliz de cidade
aprende depressa a chamar-te de realidade
porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
da força da grana que ergue e destrói coisas belas
da feia fumaça que sobe apagando as estrelas
eu vejo surgir teus poetas de campos e espaços
tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Panaméricas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
mas possível novo quilombo de Zumbi
e os novos baianos passeiam na tua garoa
e novos baianos te podem curtir numa boa.

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3 Comments »

  • Verônica said:

    Olá…
    A saudade da terra aperta mesmo..
    força para ti!
    Abç,
    paz..
    Verônica

  • Eliecy said:

    Oi Tita…

    Quando optamos por um caminho acabamos abrindo mão de algumas coisas para tentar outras que julgamos mais significativas para nós.

    Você já conquistou as pequenas vitórias, com certeza, as grandes estarão por vir.

    Abraços.

  • Tita said:

    Obrigada Meninas! Adoro quando vcs vêm aqui.
    Um beijo grande

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