[Holanda] Twitter e discriminação
- W…, W…! Weten jullie wie hij is? (W…, W…, Vocês sabem quem ele é?)
Gritos furiosos me despertam do meu semitranse pós dia de trabalho. Olho para os lados tentando descobri o que, como e onde estava acontecendo, mas vejo apenas a marcha cotidiana dos apressados a caminho de casa.
Viro à direita e ouço mais forte:
- Prullenbak! Varkenvlees! (lata de lixo! Carne de porco)
Só então vejo uma mulher, no alto (no alto mesmo!) dos seus trinta e tantos anos, gritando para duas adolescentes. As meninas, que aparentavam ser de origem turca ou marroquina, olhavam surpresas com um sorriso de quem diz: “eu hein, tá maluca?”. Ao mesmo tempo, o sorriso transmitia um certo ar de travessura. Coisa de adolescente. Não sei o que provocou o acesso de fúria dessa mulher, mas nada justificaria a sua atitude e as suas palavras.
A mulher caminha ao meu lado agora. Segura às suas mãos está uma menina com olhinhos arregalados de incompreensão. Full Story »
Mais uma do SIRE
Sabe aquela vizinha que do nada te faz uma gentileza, ou alguém que tenta te ajudar e você nem percebe, se assusta e sai correndo? Essas situações são o novo alvo do SIRE. Já falei aqui sobre a campanha do antissocial. Agora, na campanha “Aardige Mensen. Hoe gaan we er mee om” (Pessoas boas. Como podemos lidar com elas), eles focam exatamente no oposto; naqueles que são gentis e que nós, no nosso individualismo e pressa cotidiana, somos incapazes de perceber a sua bondade.
Temos a impressão que esse tipo de situação acontece com mais frequência em países como o Brasil, onde a violência é muito mais presente e onde existe uma defesa natural diante da aproximação de um estranho. No entanto, ao assistirmos os filmes da campanha, percemos que, independente de ser um meio ambiente violento ou não, as pessoas simplesmente não estão habituadas e não sabem lidar com a gentileza. Focamos tanto nas nossas vidas, compromissos, pressa, estresse, que simplesmente não temos a capacidade de perceber quando alguém tenta ser gentil conosco.
Assista os filmes abaixo Full Story »
CitizenM. O hotel mais trendy do mundo
A neve caía escandalosamente lá fora. No e-ticket o horário do voo indicava 8 da manhã. Ou seja, tínhamos que estar às 6:00 da manhã no aeroporto. Com a neve, o caos estava instalado no sistema ferroviário holandês. Assim, decidimos dormir num hotel do aeroporto. Tudo arranjado, fomos levados até lá por dois anjos que cairam do céu por descuido de São Pedro e as férias começaram!
Lá chegando, a porta-giratória nos levou a um hall que, em lugar de um concierge que nunca tem tempo pra lhe atender ou tem um sorriso falso pregado no rosto, haviam quiosques (computadores) para o check-in. Nada daqueles formulários irritantes e de explicações dadas de maneira semiautomática. Tela na frente e mouse do em punho, você confirma ou insere seus dados - você já pode (e deve) fazer tudo previamente online. Daí, é só pegar o cartão-chave, encostar num dispositivo e pronto a sua “chave” está pronta através de um sistema de dados trasmitidos por frequencia de radio. Claro que há alguém por perto, caso seja necessário, mas sempre de maneira discreta, quase invisível.
O ambiente transpira estilo. Até chegar ao elevador, passamos por um café-cantina-espresso bar, telas de Mac à disposição, uma tela plana gigante, livros, estantes e gente interessante. Sempre cercados de bom gosto, espaço e personalidade. Quando chegamos ao quarto, entendi o conceito do hotel. Para aqueles que pensam que espaço é tudo, o CitizenM mostra que o aproveitamento de espaço é tudo.
Antissocial, eu?!
Assim como temos a nossa “saudade”, o idioma holandês, dentre outras tantas palavras ora indecifráveis, ora impronunciáveis, tem a sua intraduzível “gezellig”. Gezellig significa algo próximo de aconchegante, caloroso, simpático, agradável. Assim, uma festa pode ser gezellig, como também uma casa, uma viagem, uma pessoa ou até mesmo um país.

Essa palavrinha, que a princípio parece bem complicada de falar, num bom jeitinho brasileiro e aportuguesado, seria próximo de “Rezela”. Ela não sai da boca do povo holandês, no entanto, muitas vezes não reflete no seu comportamento. Uma atitude oposta ao conceito “rezela” de ser, seria uma atitude “asociaal” – associal ou antissocial em português.E acreditem ser classificado como “asociaal” é um ofensa muito grande na Holanda.
Paradoxalmente, no início do ano, foi feita uma pesquisa com 1000 holandeses e 95% deles afirmaram ter um comportamente antissocial de vez em quando. Apenas 18% deles afirmaram ter sidos chamados a atenção por outros pelo seu “desvio de conduta” . Mas o que seria classificado como um comportamento “asociaal”? Bom, a SIRE, um organização sem fins lucrativos lançou uma campanha em março deste ano para conscientizar a população de várias situações em que as pessoas agem de forma associal sem se dar conta. Quem age dessa forma é o ”Onbewust asociaal” ou o associal inconsciente.
Confira os videos e veja se você já esteve em alguma situação dessas…como espectador ou como protagonista:
Será que pega?
A primeira vez que vim na Holanda, fui a um encontro num café. Era inverno e claro que ao sair do Rio com 37 C e chegar aqui e me deparar com paralisantes 2 graus negativos, peguei uma gripe de derrubar até o capacete de laquê da Rainha Beatrix. Mas quando se está de férias, arranca-se forças até do além para se divertir. Portanto, com muita força na peruca, resolvi ir.
Quando entrei no café, tomei susto com o ar irrespirável do lugar. Uma névoa indissipável estava permanentemente no ar. Éramos umas 10 pessoas e sentamos próximos de uma mesa de 5 fumantes. Não tive nem graça para falar com niguém. Se já estava entupida pela gripe, a fumaceira não me deixava respirar. Me senti numa câmara de gás. Resultado: não demorei muito e ainda saí por duas vezes para tomar um ar muito mais do que fresco; quer dizer congelante.
Depois disso, foram várias as vezes em que em restaurantes e bares tive que suportar a nuvem de nicotina. Definitivamente aqui os fumantes têm muito mais liberdade do que no Brasil. Mas essa liberdade, segundo os governantes, vai durar até 1o de julho, quando o fumo será definitivamente banido nos estabelecimentos abaixo:
- Hotels, restaurantes, café’s
- Discotecas, coffeeshops
- Museus, teatros, cinemas e outros estabelecimentos culturais
- Clubes esportivos
- Lugares públicos fechados como shopping centers, centros de convenções e etc.
Já fui fumante e sei o quanto é bom fumar um cigarrinho entre um gole e outro. Também sei o quanto é duro esperar para fumar ao terminar a refeição. Agora que sou ex-fumante e não-pentelha – diga-se de passagem- também sei o quão incômoda essa fumacinha é. Portanto, desculpem ex-colegas de vício, mas acho justo que vocês continuem a fumar, desde que os outros possam comer, trabalhar e se divertir sem compartilharem o seu cigarrinho.
Fica a pergunta: será que isso vai pegar aqui na Disney do Queijo?
Inté
PS: Confira aqui mais informações sobre a nova lei (em holandês)


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