[Holanda] Copa 2010. Torcedora no campo “adversário”
Engana-se quem pensa que esse é um post sobre futebol. Não me atreveria. Hoje em dia sou torcedora ocasional: apenas de jogos importantes e Copa do Mundo. Palpito, grito e sofro durante os jogos, mas não ousaria palpitar por escrito.
O negócio é que, como tantos outros, deixei-me envolver pela febre sazonal de bola. A diferença é que dessa vez estava jogando na minha segunda casa e não no meu campo oficial ( ou original?)
Devo dizer, a partida de futebol entre Brasil e Holanda me tocou mas do que imaginava ou do que gostaria. Não pelo futebol, mas por me por em xeque. Não gostei da sensação de ficar irritada ao ver os holandeses felizes da vida. Me senti meio dividida e enfurecida comigo mesma, especialmente por ter um holandês em casa.
Terminou o jogo e a porção brasileira decepcionada e irritada queria ir pra casa. Queria enterrar a cabeça no freezer até a manhã seguinte. O lado batavo cutucava:
[Holanda] Estresse, imigração e um minuto para pensar
Diante mim um espresso e doces da pastelaria portuguesa. Sentada numa praça em Coimbra, em Portugal, conversava com um jornalista de outra nacionalidade. Sem mais nem menos ele saca do bolso uma pergunta direta. Dessas que veem do uso de uma língua não nativa. É, às vezes a estranheza de uma língua cria caminhos mais curtos entre as pessoas.
- Qual o maior estresse na sua vida?
Olhei para ele, tentando atravessar o meu próprio reflexo nas lentes dos seus óculos e respirei (ou suspirei?) fundo. Pela primeira vez em muito tempo ouvia uma pergunta que me fazia parar para pensar. Não por se tratar de uma pergunta complicada, mas porque me forçava a olhar para mim mesma e para a minha vida. A primeira palavra que me veio foi: meu trabalho. Mas antes de responder, nessa fração de segundos em que o cérebro faz suas sinapses e concatena pensamentos em palavras, fiz uma viagem ao meu recente passado.
[Holanda] Páscoa. Holandesa, mas com limites.

Em quase quatro anos de Holanda tive a mais batava das Páscoas. Pela primeira vez comemoramos a data com direito a um brunch, família reunida e alguns chocolates. Na mesa não faltaram ovos recheados, decoração com pintinhos, muito amarelo, cores e papos alegres. Mas existem coisas que vão além da minha capacidade de integração. No sábado, num jantar em casa de amigos, descobri mais uma tradição holandesa que desconhecia – e que vou continuar ignorando por completo.
Meubelboulevard
Astoria. Uma atração que devia ser turística
Num desses dias de início de inverno, quando o frio cortante também traz uma excitação de nova estação, tinha uma reunião de trabalho em Amsterdã. Desligo o laptop, corro pro trem, acho o tram (bonde) na confusão da Amsterdam Centraal e salto no Jordaan – eu sei, a distância não é tanta, mas a pressa e o frio me incentivaram a pular no quentinho do tram . Passo em frente a estátua de Anne Frank, releio o endereço: Keizersgracht, 174-176. Sigo em frente, passo pelo Homomonument e vou descendo o famoso canal.
Na esquina com Leliegraacht, abro uma imponente porta e um mundo art-nouveau ou jugendstil descortina-se para os meus olhos. Olho pra todos os lados. Um lustre inacreditável ilumina a incrível escadaria. E o anjo no mosaico da fachada não protege em nada a minha concentração. Ufa, entro no elevador e recobro, com esforço, o foco profissional. Ao entrar no escritório, um tanto quanto efusiva, elogio a beleza do edifício e após o café, as enfim, as coisas correm normalmente. Mas foi uma paixão à primeira visita.
Antissocial, eu?!
Assim como temos a nossa “saudade”, o idioma holandês, dentre outras tantas palavras ora indecifráveis, ora impronunciáveis, tem a sua intraduzível “gezellig”. Gezellig significa algo próximo de aconchegante, caloroso, simpático, agradável. Assim, uma festa pode ser gezellig, como também uma casa, uma viagem, uma pessoa ou até mesmo um país.

Essa palavrinha, que a princípio parece bem complicada de falar, num bom jeitinho brasileiro e aportuguesado, seria próximo de “Rezela”. Ela não sai da boca do povo holandês, no entanto, muitas vezes não reflete no seu comportamento. Uma atitude oposta ao conceito “rezela” de ser, seria uma atitude “asociaal” – associal ou antissocial em português.E acreditem ser classificado como “asociaal” é um ofensa muito grande na Holanda.
Paradoxalmente, no início do ano, foi feita uma pesquisa com 1000 holandeses e 95% deles afirmaram ter um comportamente antissocial de vez em quando. Apenas 18% deles afirmaram ter sidos chamados a atenção por outros pelo seu “desvio de conduta” . Mas o que seria classificado como um comportamento “asociaal”? Bom, a SIRE, um organização sem fins lucrativos lançou uma campanha em março deste ano para conscientizar a população de várias situações em que as pessoas agem de forma associal sem se dar conta. Quem age dessa forma é o ”Onbewust asociaal” ou o associal inconsciente.
Confira os videos e veja se você já esteve em alguma situação dessas…como espectador ou como protagonista:
O nordeste é logo alí….na Indonésia.
Sabe o que mais gosto? É de mesmo depois de 3 anos de Holanda encontrar coisas que me surpreendem. Ainda mais quando são coisas que aguçam o meu paladar saudosista.
Estava na Bijenkorf, tradicional loja de departamentos da Holanda, e resolvi passar no Toko que fica no subsolo da loja de Utrecht. Toko é um tipo de delicatessen de produtos orientais, muito comum aqui na Holanda. Algumas são mais orientadas para produtos chineses, outras Indonésios e algumas produtos do Suriname. Mas na verdade, o que existe é uma curiosa mistura de produtos exóticos para essas terras planas e baixas. Para mim, um real paraíso a ser explorado.
Pois é, resolvi dar uma passadinha na Toko da Bijenkorf, que é mais orientada para produtos Indonésios e eis que vejo algo marrom, redondinho e com os seguintes nomes impressos na embalagem ” Palm Suiker”. Full Story »
Frustações em duas rodas
Já são 3 anos de praia (ou de chuva) aqui na Holanda e olhando pra trás, devo dizer que as minhas habilidades ciclistíscas melhoraram sensivelmente. Já não tremo quem nem vara verde quando um carro desponta a 500 metros de distância, já não fico estressada esperando o sinal abrir e ser quase atropelada pelos ciclistas apressadinhos perdi o medo do tim-tim histérico da campainha das bicicletas nativas. Enfim, a cada dia me sinto mais confortável na magrela e pago cada vez menos micos sobre duas rodas.
No entanto, existem diferenças entre se virar como ciclista e ser holandês. Os cabeças-de-queijo já nascem com a bicicleta entre as pernas e acho que aprendem a pedalar antes de andar. Para se ter uma noção são 18 milhões de bicicletas; uma média de 1,1 bicicleta por habitante. A produção em 2008, a maior da Europa, foi de quase 600.000 undades. Assim, já viram que dá pra se integrar, mas não dá pra competir, né?
Para desabafar as minhas frustrações ciclísticas, resolvo mostrar o que ainda não sei e talvez nunca aprenda a fazer numa fiets ( bicicleta em holandês)
Sem usar as mãos
Para os holandeses, usar as mãos enquanto pedalam é um ato supérfluo. Por isso, enquanto pedalam para o trabalho, eles:


E se tiver alguma ameaça de chuva, não tem problema. Eles sacam o guarda-chuva com a maior elegância e continuam as suas atividades matinais.
Supermercado: mémorias de uma turista
Olho pra moeda em minha mão, vejo as letras AH impressas em um logo azul e branco, a coloco na tranca no carrinho e sigo para a entrada do supermercado. Já estou com a minha sacola de compras a postos, cheias de garrafas plásticas de refrigerantes vazias. As de vidro, junto com outros potes, foram jogadas no devido conteiner, no meu caminho de casa até o supermercado. As ações que descrevo, faço de maneira natural, quase automática. Mas nem sempre foi assim….
Ao olhar para moeda, lembrei do primeiro dia em que entrei no supermercado aqui na Holanda. Estranhei o tamanho; proporcional a o tamanho do país, talvez. As gôndolas devidamente arrumadas, lindos tomates e ah, sim, as embalagens. Me apaixonei por elas. Amei as suas instruções indecifráveis, a aparência superatraente e ao primeiro olhar, pareciam bastante práticas.
Recordo a surpresa ao ver que as sacolas plástcas eram vendidas e que quase todos tinham as suas sacolas de compras. Alguns não se importavam de carregar as compras na mão, outros pegavam caixas vazias para acomodar os artigos e outros usavam os saquinhos plástico finíssimos; esses sim, gratuitos.
Os carrinhos enfileirados na porta da loja, só eram liberados mediante Full Story »
Hard to say I’m sorry
Tive livros jogados fora por uma recepção de um hotel, incontáveis encontrões na rua, no trem, esbarrões de bicicleta, sem receber um pedido de desculpas feito de forma digna. O prefeito de Amsterdã, em março deste ano, se recusou a fazer um pedido formal de desculpas a jovens que injustamente foram presos, suspeitos de terrorismo num suposto ataque à Ikea em Amsterdam. Segundo ele, não havia cometido nenhum erro. No ano passado, foram várias polêmicas envolvendo o assunto: as desculpas nunca pedidas pelos banqueiros pela má gestão na crise, o ” pede não pede” desculpas da Holanda ao Suriname por todo o histórico colonial. Enfim, o assunto está sempre na roda, mas nunca na prática.
Muitas vezes, ao pedir desculpas, vislumbrei um olhar de surpresa no rosto de muitos holandeses. E ouvi um sonoro ” Geef niet, hoor!”. Algo como não precisa. Me pergunto: por que será tão difícil para os holandeses pedir desculpas? Talvez seja somente minha experiência, mas noto um total desconforto em relação ao assunto. É quase como se fosse uma atitude de subserviência, fraqueza de caráter, em lugar de educação e reconhecimento do erro. E os holandeses não teem nada de subservientes. Isso, se um por um lado é bom para a auto-estima, levado a extremo resulta em arrogância.
Extrapolando, talvez a rigidez do Calvinismo influencie. Pedir desculpas talvez represente um ato de safar-se do ato falho, sem encarar as consequências. Seria talvez um repúdio ao costume católico da confissão, que é capaz de resolver até o pior dos pecados? Quem sabe….
Pedir desculpas não é coisa fácil. Full Story »
Coisas da Roça
Quando se fala em vila no Brasil, imagina-se um lugarejo no meio do nada e com quase nada pra se fazer ou comprar. Aqui as coisas são meio diferentes, mesmo em algumas vilas pequenas, pode-se encontrar lojas, delicatessens e restaurantes da melhor qualidade.
As pessoas buscam mais espaço, um jardim pra chamar de seu e, como a vida nas cidades é bem mais cara e as casas apertadas, muitas terminam vindo para as vilas e cidades menores. Mas não esqueçam que a Holanda em si já pequena e muitas vezes as distâncias são ínfimas. Por exemplo, moro numa vila, trabalho na cidade e levo todos os dias em torno de 20 minutos de bicicleta da minha casa até o escritório.
Mas voltando à vila, apresento para vocês os favoritos da minha roça:
Restaurantes:
1) Zebs: com um conceito de degustação, todos os pratos tem o mesmo preço. São apresentados em pequenas porções e cuidadosa e deliciosamente preparados. É uma cozinha meio fusion e o ambiente é casual e moderno. Detalhe: no salão ao fundo, há lindos pórticos, vindo de uma estação de trem francesa.
2) Ilha: especializado em comida mediterrânea e francesa, é um restaurante mais tradicional, mas com uma cozinha notável. O ambiente é aconchegante e nada esnobe. Só fui uma vez, por isso não posso julgar em termos de regularidade, mas provei uma sobremesa de chocolate, dessas inesquecíveis.
3) Mutiara: tradicional restaurante indonésio da vila. Não recomendo para comer no próprio restaurante, mas você pode encomendar e fazer aquele linda mesa Indonésia em casa. A comida é divina.
Lojas e Delicatessens Full Story »


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