dia-a-dia
Como boa moradora de vila, chego no ponto do ônibus e solto um saltitante bom dia em holandês. A simpática senhora responde com um bem articulado goeiemorgen. Assanhada, engreno uma conversa sobre o atraso do ônibus e com a língua mais acordada que o cérebro, termino cometendo um erro gramatical.
Ela me corrige com uma sutileza que poucos carregam na alma. Conheço muitas pessoas que se irritariam com a situação. Mas não consegui. Juro! Não sei se foi a lerdeza matinal ou a delicadeza embutida naquela voz macia que exalava empatia, mas …
O dia em que um Coreano me fez pensar em minha vida na Holanda
Diante mim um espresso e doces da pastelaria portuguesa. Sentada numa praça em Coimbra, conversava com um jornalista coreano. Sem mais nem menos ele saca do bolso uma pergunta direta. Dessas que veem do uso de uma língua não nativa. É, às vezes a estranheza de uma língua cria caminhos mais curtos entre as pessoas.
- Qual o maior estresse na sua vida?
Olhei para ele, tentando atravessar o meu próprio reflexo nas lentes dos seus óculos e respirei …
O vento toca meu rosto, mas só acaricia. Deixou de lado a rudeza do inverno. Pedalo olhando pro alto e como num filme, vejo num fundo azul imaculado, um caminho a se formar pela série infindável de galhos de árvores paralelos que passam. Ainda sem folhas, é bem verdade, mas tocados por um luz quase divina, como aquelas que varam os vitrais de igreja em domingos ensolarados. Al Green canta no meu ouvido que o amor é uma coisa linda e, num dia como esse, quem há de duvidar? Visto apenas …
Nunca achei que essa data iria chegar tao rapido. No alto dos meus sabios 15 anos, com toda a arrogancia de uma adolescente, semprei achei que 40 era a reta final de qualquer ser humano.
Chegar aos quarenta era quase cruzar a linha entre gente e resto de gente. Pois e’, cruzei a linha e vou avisando que adoro o que restou. O rodometro deu VDO e so’ recomecou a quilometragem. Agora, do alto dos meus quarenta, posso dizer que:
deixei a pressa burra e desnecessaria da imaturidade
tenho uma melhor dimensao das coisas: sinto a dor, …
Resolvi que a ceia de Natal vai ser uma ceia nórdica, quer dizer do Nordeste do Brasil. Teremos steaks de contra-filé brasileiro, acompanhados de purê de aipim, molho vinagrete (ou à campanha, como dizem), farofa de banana-da-terra e outros quitutes nordestinos.
Como boa nordestina e baiana, eu amo coentro, iguaria rara nestas terras baixas, molhadas e frias. Até achamos nos supermercados, embaladinhos quase à vácuo numa embalagem plástica, mas fresco mesmo, não é sempre. E me diga, como é que se faz um vinagrete sem cheiro verde? Nesse caso, a salsinha …
Mayra Avellar Neves, de 17 anos, que mora no Rio de Janeiro recebeu o prêmio Kindervredesprijs (Prêmio Infantil da Paz) das mãos do bispo Desmond Tutu no Ridderzal em Haia. Esse é um prêmio anual concedido desde 2005 à crianças e adolescentes com feitos extraórdinários pela paz e direitos das crianças.
A lutadora da Vila Cruzeiro
Mayra mora na Vila Cruzeiro e faz um trabalho na comunidade contra a violência. Ela conseguiu, por exemplo, que a polícia parasse de fazer operações na favela durante o horário de funcionamento das escolas. Apesar de …
Ele chegou junto com os jornais e as correspondências habituais. Não dei muita importância. Tinha pressa. Deixei tudo como estava, fechei a caixa de correio e segui para o ônibus apenas com o jornal debaixo do braço. Mal sabia eu que este era um momento histórico.
Já a caminho, abro o jornal e para a minha surpresa, havia uma matéria de duas páginas sobre o envelope negligenciado. Lembrei da brancura do papel, do logo com o cisne que flutuava em abstratas ondas azuis e fiz uma imediata associação.Tratava-se da eleição das …
Domingão preguiçoso. O sol bem que ensaiou uma entrada na manhã, mas tímido se deixou vencer pelo insistente cinza que sempre paira por essas bandas do planeta. A casa ainda apresenta vestígios das férias, depois de uma semana trem-bala. Mas os restos mortais das malas mal desfeitas, me lembram mais fósseis pré-históricos. Nossa, parece que foi há tanto tempo!
À tarde, quando reúno forças para botar os pés e a cara na rua, sigo com o meu possante veículo de duas rodas para o bosque para uma caminhada com o (na)marido. …
Como se fosse para um baile de gala, peguei minhas havaianas e vesti o meu vestidinho de verão. Sim, sem mangas, alcinha, pernas de fora e atrevida que sou, não levei xale, echarpe e nem a surrada jaquetinha jeans. Neste final semana, assim como anunciado em todas as mídias, o sol daria o seu provável último sprint deste verão que logo, logo acaba.
Sempre falo por aqui como admiro a maneira como os holandeses veneram o sol. Não é preciso estar na praia de biquini para celebrar e sentir na pele …
Dizem que o bom filho sempre à casa retorna e aí eu pergunto: qual casa? Há quase um mês voltei à Salvador, lugar onde nasci e me criei, ou seja, minha casa. Não fui ao Rio, mas se tivesse retornado à cidade onde vivi por 12 anos, também me sentiria em casa. E, por incrível que pareça, ao retornar à Holanda e botar a chave na porta, me senti em casa. Complicado, não?! Vocês já devem estar pensando:”Ih, essa ida ao Brasil acabou de fundir a mufa já meio chamuscada …