Mais uma do SIRE
Sabe aquela vizinha que do nada te faz uma gentileza, ou alguém que tenta te ajudar e você nem percebe, se assusta e sai correndo? Essas situações são o novo alvo do SIRE. Já falei aqui sobre a campanha do antissocial. Agora, na campanha “Aardige Mensen. Hoe gaan we er mee om” (Pessoas boas. Como podemos lidar com elas), eles focam exatamente no oposto; naqueles que são gentis e que nós, no nosso individualismo e pressa cotidiana, somos incapazes de perceber a sua bondade.
Temos a impressão que esse tipo de situação acontece com mais frequência em países como o Brasil, onde a violência é muito mais presente e onde existe uma defesa natural diante da aproximação de um estranho. No entanto, ao assistirmos os filmes da campanha, percemos que, independente de ser um meio ambiente violento ou não, as pessoas simplesmente não estão habituadas e não sabem lidar com a gentileza. Focamos tanto nas nossas vidas, compromissos, pressa, estresse, que simplesmente não temos a capacidade de perceber quando alguém tenta ser gentil conosco.
Assista os filmes abaixo Full Story »
World Press Photo. Uma viagem que começa na Holanda.
A foto que vocês veem ao lado foi tirada em junho de 2009, quando em Teerã,ocorreram as eleições presidenciais. O President Mahmoud Ahmadinejad ganhou a votação, mas o resultado foi contestado veementemente. À noite, quando as ruas estavam vazias, as pessoas iam para os tetos das suas casas para clamar “morte ao ditador”. Isso durou semanas.
A foto do italiano Pietro Masturzo mostra mulheres iranianas protestando aos gritos no teto das suas casas. Provavelmente, se você visse essa foto em um jornal e qualquer outra mídia, não lhe chamasse tanta atenção. Mas agora, com certeza, tanto a foto como o momento e a situação no Irã ganham outra dimensão. Essa foi a foto ganhadora do prêmio World Press Photo , o mais prestigiado prêmio da fotografia jornalística.
Naturalização na Holanda – Parte 2
Na próxima terça-feira vou buscar o passaporte vermelhinho. Esta é um longa história. Parte dela contei em um post passado. A naturalização é um processo gera dúvidas e em alguns casos, polêmica, mas sem dúvida é algo que também gera burocracia. Veja as estapas do processe e confira como aconteceu comigo:

2. Reunir e apresentar os documentos na sua Prefeitura. Geralmente são solicitados:
- Passaporte (seu, do seu cônjuge, dos seus filhos)
- Visto de permanência (seu, do seu cônjuge, dos seus filhos).
- Certidão de nascimento/Casamento.(Emitidas no país de origem, traduzidas e legalizadas). Um contrato de união estável também é válido.
- Comprovação de que você convive há pelo menos 3 anos com um holandês/esa; caso essa seja a base do seu pedido de naturalização
- Diploma e declaração do Inbugering Cursus e o Exame de Integração Civil. Alguns diplomas de universidade substituem a exigência do Inburgering/Teste de Integração civil. Informe-se no IND ou na sua Prefeitura
Hard to say I’m sorry
Tive livros jogados fora por uma recepção de um hotel, incontáveis encontrões na rua, no trem, esbarrões de bicicleta, sem receber um pedido de desculpas feito de forma digna. O prefeito de Amsterdã, em março deste ano, se recusou a fazer um pedido formal de desculpas a jovens que injustamente foram presos, suspeitos de terrorismo num suposto ataque à Ikea em Amsterdam. Segundo ele, não havia cometido nenhum erro. No ano passado, foram várias polêmicas envolvendo o assunto: as desculpas nunca pedidas pelos banqueiros pela má gestão na crise, o ” pede não pede” desculpas da Holanda ao Suriname por todo o histórico colonial. Enfim, o assunto está sempre na roda, mas nunca na prática.
Muitas vezes, ao pedir desculpas, vislumbrei um olhar de surpresa no rosto de muitos holandeses. E ouvi um sonoro ” Geef niet, hoor!”. Algo como não precisa. Me pergunto: por que será tão difícil para os holandeses pedir desculpas? Talvez seja somente minha experiência, mas noto um total desconforto em relação ao assunto. É quase como se fosse uma atitude de subserviência, fraqueza de caráter, em lugar de educação e reconhecimento do erro. E os holandeses não teem nada de subservientes. Isso, se um por um lado é bom para a auto-estima, levado a extremo resulta em arrogância.
Extrapolando, talvez a rigidez do Calvinismo influencie. Pedir desculpas talvez represente um ato de safar-se do ato falho, sem encarar as consequências. Seria talvez um repúdio ao costume católico da confissão, que é capaz de resolver até o pior dos pecados? Quem sabe….
Pedir desculpas não é coisa fácil. Full Story »
Em tempo….
Numa semana pós-férias e de novos passos na vida profissional de expatriada, uma coisa não saiu da minha cabeça: o tempo. Seja por sua escassez ou pelo seu inexorável tique-taque, nos últimos dias, tenho me dado conta de noção de tempo aqui é mais cristalina do que quando morava no Brasil.
A agenda, ícone da vida social holandesa, certamente tem a sua razão de ser. Aqui tem-se o tempo determinado para tudo: se quiser flores no seu jardim, tem que se programar para comprá-las e cuidar delas, se quiser usar sandálias e aquele vestido floral, aproveite os escassos dias de sol, se quiser sentar com amigos num terraço ou numa praça cheia de gente alegre, não espere pelo próximo dia de calor. Com as estações bem marcadas, tudo se encaixa em um determinado ritmo. O tempo nos abre janelas em períodos determinados e se não fomos sábios o suficiente para ver e viver esses momentos, teremos que esperar por mais ciclo.
De repente, vejo que na suposta “bagunça organizada” do brazilian way of life existe muita fartura. Podemos viver várias coisas ao mesmo tempo. De repente pinta aquele dia de praia no inverno, as sandálias convivem com os sapatos no outono e a temperatura, na maioria das vezes, nos permite aproveitar um ar fresco, sem que isso signifique está coberta dos pés à cabeça a ainda assim, tiritando de frio. A agenda parece ter linhas de elástico e a flexibilidade é levada a extremos. Assim, nesta semana, quando pensava no Brasil, o título do álbum do Titãs pipocava na minha mente: Tudo ao Mesmo Tempo Agora. Full Story »
O fim da inocência?
Esperava começar esse post contando as peripécias minhas e de outras pessoas no Dia da Rainha, mas além de uma enxaqueca que não me deixou sair de casa, o ocorrido em Apeldoorn me tirou qualquer ânimo.
O Dia da Rainha é a única festa realmente popular da Holanda. É o dia em que as pessoas vão para as ruas vestidas de laranja e com um sorriso estampado no rosto. E foi muito triste ver a decepção e a incredulidade no olhar das pessoas que lá estavam.
A Holanda sempre foi um país onde políticos e membros da família real se comportaram com menos pompa do que em outros países. Era (e ainda é) comum ver políticos em suas bicicletas indo para o trabalho. Habituada com a violência no Brasil, a Holanda, às vezes, me parece um dos últimos recantos de inocência.
Ao dirigir de encontro à multidão que assistia o desfile Real, Full Story »
Casando na Holanda
Sempre ouvi dizer que os casamentos tradicionais aqui na DQ (Disney do Queijo) além de caros, são cheios de pompa e complicações. Geralmente a cerimônia acontece na Prefeitura ( ou igreja) e nem sempre, a lista de convidados da cerimônia coincide com os outros eventos do casamento. Num pacote completo, depois da cerimônia, os noivos recebem os convidados para uma pequena recepção com bolo e champagne, janta com a família em separado e só depois vão para a festa. O dia ainda pode reservar surpresas como passeios de barco, ônibus especiais e o que a criatividade permitir. Ou seja, uma maratona!
Fui a um casamento aqui na Holanda e, para manter a tradição, fui de bicicleta. O evento, apesar de acontecer em 2007, seguiu algumas das tendências bem atuais. Foi informal, havia um site específico para o casamento, a cerimônia e a festa aconteceram em dias diferentes e a lista de presentes estavam no Oxfam Novib, organização que combate a pobreza, promovendo a emancipação da população carente em vários países. A única tendência que ficou faltando foi uma cor para o evento
Agora, quais seriam os outs numa festa de casamento, segundo as tendências DQ:
É hoje!
Depois de uma Blue Monday, vem uma Green Tuesday, a Terça da Esperança. Hoje, depois dos difíceis anos da Era Bush, Barack Hussein Obama será empossado como o 44o presidente dos Estados Unidos da América.O primeiro negro a liderar a nação mais influente do planeta.
Não preciso dizer o quanto histórico é esse momento. E não interessa a sua nacionalidade. Hoje é um dia que marca a história mundial e todos os olhos se voltam cheios de esperança para a América do Norte.
Considero momentos como este realmente únicos. São raros instantes de sonho, onde tudo é possível. É como começo de namoro, onde tudo é perfeito e especial. E uma das coisas mais belas é ver uma nação movida pelo sentimento de esperança. Que o povo americano e o mundo aproveitem esse momento porque existem muitas dificuldades pela frente.
Crise Financeira Mundial, conflito em Gaza, crise interna americana, questão racial são apenas alguns dos ingredientes no prato do novo presidente. E mais do que soluções emergenciais, ele prometeu a todo tempo durante a campanha mudanças. Hoje começa o seu sonho Obama. Parabéns. I really hope you can!
Quem está na Holanda, não tem motivo para perder a posse. Confira:
Resposta à Mayra
Salto da cama nessa sexta-feira de raro céu azul de inverno, e enquanto acordo Hans e Kees,meus dois neurônios bailandeses, com uma xícara de café extra forte, aprovo o comentário abaixo no post A fome dos que ardem. 
"Olá, Bailandesa. Aqui é a Mayra, ganhadora do prêmio. Tenho procurado na internet matérias sobre a entrega do prêmio e pouca coisa tenho achado em português.
Fico feliz, por exemplo, em ver os seus marcadores. A maioria dos marcadores que encontro am matérias relacionadas a mim é: droga, violência etc.
É péssimo ter uma imagem vinculada a droga, a violência. É justamente essa a imagem que eu luto pra desvincular.
Enfim, parabéns pelo seu blog. Muito bacana.
Abraços, Mayra!"
A fome dos que ardem
Não foi só o Sinterklaas que trouxe emoções no final de semana. Dois outros acontecimentos trouxeram energia e renovaram a minha um pouco desgastada fé na humanidade. O primeiro foi o prêmio recebido pela brasileira Mayra Avellar Neves, de 17 anos, que mora no Rio de Janeiro. Ela recebeu o prêmio Kindervredesprijs (Prêmio Infantil da Paz) das mãos do bispo Desmond Tutu no Ridderzal em Haia. Esse é um prêmio anual concedido desde 2005 à crianças e adolescentes com feitos extraórdinários pela paz e direitos das crianças. O segundo foi um discurso de formatura do fundador da Apple e Pixar, Steven jobs
A lutadora da Vila Cruzeiro
Mayra mora na Vila Cruzeiro e faz um trabalho na comunidade contra a violência. Ela conseguiu, por exemplo, que a polícia parasse de fazer operações na favela durante o horário de funcionamento das escolas. Apesar de não ver destaque na mídia brasileira, o prêmio lhe rendeu uma matéria de 5 minutos na televisão holandesa. (o último video da página).
O outro gatilho renovador de energia veio num email que quase não abro. Sim, confesso: não abro todos os emails que me mandam. Principalmente se tiver um arquivo de power point anexado. Mas, como já era a segunda pessoa que me mandava, resolvi clicar no link. Full Story »


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