No huisarts

maio 14, 2009 | Categoria:Diferenças culturais,Imigraçao | Autora: Bailandesa

O huisarts, o médico de família holandês, é talvez um dos maiores obstáculos à integração de muitos brasileiros na Holanda. doctorÀs vezes pelas diferenças do sistema e filosofia de tratamento e muitas vezes por questões pessoais também. Bom,  sobre o huisarts já escrevi, mas sempre ouço e coleto histórias e pérolas desses guardiães da saúde tão criticados e mutas vezes incompreendidos. Hoje resolvi postar algumas:

Melhor um problema na mão do que dois não ouvidos

Ela tinha um probleminha e resolveu marcar uma consulta com o seu huisarts. Ligou, conversou com a assistente e explicou em detalhes os principais sintomas. Tudo resolvido, conseguiu o seu horário. No dia marcado pedalou até o local, se identificou na recepção e em tempo, entrou na sala do médico. A consulta corria bem, até que ela, ao lembrar de uma coisa, fez o seguinte comentário: - Ah, olha eu tenho um outro probleminha

Diz o médico:- Ah, mas eu só tenho tempo para um problema. Para o outro problema, você precisa marcar uma outra consulta.

Dica: Se tiver mais de um assunto  para falar com o huisarts, ao ligar, diga a assistente que você quer falar sobre dois ou mais problemas. Assim, ela irá programar uma consulta .

Na vida tudo passa, inclusive a dor

Ela caiu da bicicleta e tinha uma dor nas costas insuportável. Ao ir no huisarts, ele receitou o elixir miraculoso Paracetamol e mandou-a pra casa. Passado alguns dias, ela ligou e disse que precisava ver o médico de novo. Conseguiu um novo horário e explicou que continuava com muita dor. Ele olha inpacientemente para ela e diz: - Olha, é assim mesmo, continue tomando o remédio que me 2 semanas a dor passa.

Obs: Cá entre nós, em 2 semanas comou sem remédio, a dor vai vai passar, certo?

Quem não lê bula, se trumbica

Ela estava grávida e, mesmo depois do período de 3 meses, continuava com muito enjoo.  Depois de tentar tudo, o médico passou novo remédio. Depois de lutar para tomar metade da caixa, ela resolveu reclamar. Foi na farmácia e explicou que aquelas pílulas eram muito grandes e que era muito difícil de engolir. A atendente da farmácia não se conteve abriu na gargalhada e explicou que zetpil* na verdade significa supositório e dever ser tomado por outra via  e não por via oral. Tá vendo, nem sempre o coitado do médico é o vilão da história, não é mesmo? 

Conheço brasileiros satisfeitíssimos com os seus huisarts e outros nem tanto assim. Na verdade, acho que o sistema  é o que incomoda mais: a falta de liberdade, a falta de acesso aos exames e etc. No Brasil, quem tem acesso a um plano de saúde privado, tem mais liberdade para escolher os seus especilistas e ir na hora  que quiser. Também sabemos que isso é um privilégio para poucos. Portanto, acho difícil fazer um comparação bem-sucedida. O negócio é aprender como lidar com as diferenças e o mais importante, encontrar um huisarts em quem você confie e tenha afinidade.

E você tem alguma história sobre o seu huisarts? Conta pra gente!

* Curiosidade: Zet em holandês significa empurrão, pil = pílula. Não deixa de fazer sentido, não é mesmo?

Imagem: salon.com

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