

Não sei se é impressão minha, mas parece que no Brasil, a gente complica demais os afazeres domésticos. Antes de vir pra cá, já pensava “Ai meu Deus, essa história de não ter faxineira vai ser um caos”. No Rio, tinha uma empregada que vinha três vezes por semana e passava, lavava e , se eu pedisse, fazia compras e cozinhava. Semprei achei que não sobreviveria um dia sem ela e que em uma semana, estaria eu aqui na Holanda chafurdando numa casa imunda e tropeçando em panos de chão, vassouras, produtos de limpeza, pincéis, esponja de aço e etc. Não é que para a minha surpresa, a vida de Maria aqui é mais simples do que eu imaginava?
Primeiro, essa coisa de passar toda e qualquer peça de roupa não existe. Passa-se o que realmente amassa. Aliás, sempre achei que essa coisa de passar roupa de cama era coisa de maluco. O aspirador de pó aqui é usado pra tudo. No Brasil, é como se fosse um artefato de luxo, utilizado apenas para quem tem tapetes, carpetes ou carro. A água quente nas torneiras da cozinha dão uma ajuda e tanto para lavar algo que não possa ir à máquina de lavar louça. Não vi tantas casas brasileiras com água quente na cozinha. Máquina de lavar louça, secadora de roupa e os amados produtos de limpeza em forma de spray que tanto amo, dentre outras cositas que fazem da limpeza uma atividade menos sobrenatural. E o mais importante: os homens holandeses – atenção! sempre existem exceções-. Eles sabem fazer “de um tudo” na casa, sentem-se responsáveis pela casa e a divisão desses trabalhinhos nefastos é uma benção.
E por que as coisas aqui são mais práticas? Porque no Brasil a gente não faz os trabalhos de casa. Assim, não nos preocupamos em facilitar o trabalho dos empregados domésticos. Nem passa pela nossa cabecinha, né? Só pensamos em exigir que o casa esteja perfeita e vivemos passando os nossos dedinhos nos cantos para checar o trabalho. Uma coisa é certa, quando nós mesmos fazemos a faxina, o nosso grau de exigência é inversamente proporcional ao respeito por esses profissionais. Quando estiver trabalhando, claro que terei uma faxineira. A diferença é que esta virá aqui por 3, 4 horas e eu arrumarei a casa pra que o trabalho dela seja mais eficiente. E o mais importante: ela nunca vai trazer um cafézinho fresco pra mim, cheio de carinho como eu tinha no Brasil.