O Mont Saint-Michel é uma visão idílica: uma vila medieval incrustada num monte que flutua etéreamente numa imensa baía. Sim, só vê-lo de longe já vale a viagem, mas estando tão pertinho, por que você não iria perder a chance de entrar na chamada “Maravilha do Ocidente”?

Dentro do Mont Saint-Michel
Depois de passar pela movimentada Grande Rue, cheia de lojinhas de souvenirs e restaurantes, você chega à Grand Degré, uma escadaria com 350 degraus e explorava os três níveis da abadia.
À medida que você vai subindo, o número de pessoas a sua volta vai dimuindo e uma sensação de paz e deslumbramento lhe invade. A admiração diante de uma construção tão antiga e tão perfeita, num lugar tão inóspito é inevitável.
A Igreja
A Igreja da Abadia reúne diferentes estilos e é surpreendentemente harmoniosa. A nave no estilo romanesco convive com um altar gótico flamboyant belíssimo que só chegou três séculos depois.
O claustro
O claustro é um jardim estonteante rodeado de colunas e arcadas. Você vai ver que o lugar de meditação dos monges beneditinos parece realmente estar a dois passos do paraíso.
Interessante que apesar de tantas colunas, existe uma transparência que lhe permite visualizar a tranquilidade do ambiente.
O refeitório dos monges
Um dos salões mais impressionantes é o refeitório. Um ambiente luminoso. Dá pra imaginar os monges comendo em silêncio, enquanto ouviam os sermões religiosos. Preste atenção ao teto de maneira e aos vitrais “invisíveis”. Só dá pra vê-los de um determinado ângulo.
Salão de hóspedes
Aqui peregrinos e nobres eram recebidos. Se você conseguir tirar os olhos do teto e suas incríves abóbadas, dê uma olhada na lareira dupla.
Salão dos Cavaleiros (Scriptorium)
Um dos pontos altos da visita. Este era lugar onde os monges copiavam os seus manuscritos. As colunas são incríveis e dizem que os monges penduravam tapetes entre as colunas e criavam ambiente de trabalho únicos.
A baía e a maré do Mont Saint-Michel
A baía por si só é uma atração a parte. Lá de cima, você vai se impressionar com a vastidão e se se programar, quem sabe não assiste o espetáculo das maré?
O Mont Saint-Michel torna-se uma ilhota durante a maré alta. E atenção, isso pode ser perigoso. A maré realmente galopa e a diferença entre a a cheia e a baixa pode chegar a 15 metros.
Depois de muitos afogamentos de peregrinos e soldados, ficou conhecido como o “monte do perigo do mar”. Não é preciso dizer que não dá pra se arriscar a cruzar a baía sozinho, sem nenhum guia e sem nenhum conhecimento do horário das marés. Confira os horários no site , clicando em “times of the tides”.
Existem alguns tours guiados que fazem a travessia na maré baixa, que podem dar um pitada de aventura à sua visita com toda a segurança.
A história
O que você pode esperar de um lugar que foi construído a pedido de um Arcanjo? Pois é, diz a lenda que o São Miguel Arcanjo pediu ao Bispo de Avranches, Aubert e ele ergueu uma pequena igreja no local no ano de 708. No topo da abadia, há uma estátua do São Miguel Arcanjo matando o dragão, que simboliza o Mal. Só pra lembrar: Saint Michel é São Miguel em francês.
Um grupo de Beneditinos mudou-se para o lá e, no século XI, construíram a Abadia. A vila foi crescendo com o passar do tempo e o local se tornou um importante de peregrinação e um complexo militar na Guerra dos Cem anos. O último lugar que resistiu aos ingleses durante o conflito – as marés tiveram um papel relevante nessa história.
Durante a Revolução Francesa, o Mont Saint-Michel perdeu o seu contexto religioso e se tornou uma prisão até 1863. Ainda no Século XIX, transformou-se um monumento histórico.
Em 1966 o local foi simbolicamente devolvido aos Beniditinos e em 1979 foi declarado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.
Vale a viagem?
Sim! Resista a tentação de torcer o nariz por ser um local muito turístico. Se é tão popular deve ter alguma razão. É uma construção inacreditavelmente bela, cheia de história e imperdível. Uma dica importante: evite a alta temporada de julho e agosto e mergulhe nessa viagem ao passado.
Se você já foi, adoraria ouvir a sua experiência. Tem alguma dica pra nos dar?
Informações Práticas
Como chegar
Cheguei ao Mont Saint-Michel de carro e foi um perfeito final de maravilhosa viagem pela Bretanha, mas você pode ir de outras maneiras:
De trem: O caminho com menos baldeação é pegar um trem na estação Paris Mont Parnasse para Dol de Breatgane (2h40m) e depois pegar um ônibus direto para Saint Michel
De ônibus: Você pode pegar um ônibus de Rennes ou Dol de Bretagne para o Mont Saint-Michel.
Estacionamento: Foi de carro? No passado as pessoas podiam estacionar o carro bem pertinho do Mont Sint-Michel emuitos carros já foram “afogados”pelas maré. Desde 2012, foi criado um novo estacionamento, que fica a 2,5 km de distância do Mont Saint-Michel. De lá você pega um ônibus gratuito (incluído no preço do estacionamento), que te leva até a porta do local. Confesso que achei a distânica de 800 metros entre o estacionamento e os pontos de ônibus considerável.Onde ficar
Vi algumas pessoas chegando com suas malas de rodinhas, desembarcando do shuttle bus e pensei: deve ser um sonho ficar pelo menos uma noite nesse lugar quase irreal. Pergunta: será que o preço justifica? Não tenho essa resposta.
Como estava de carro, fiquei numa cidade próxima e não me arrependi. Não vão faltar opções para todos os gostos e bolsos nos arredores.Onde comer
Comi um crepe pra lá de caro por lá. Só porque estava morta de fome. Caso seu caso seja o mesmo, você pode provar uma dessas delícias da região da Normandia ou a versão Bretã da iguaria. Se quiser muito provar algo típico, tente os omeletes da Madame Poulard.
Com o novo estacionamento, perto do local onde saem os ônibus para o Mont Saint-Michel, existem agora diversos restaurantes/fast food, muitos de cadeias internacionais conhecidas. Caso, o desespero ataque pode ser uma opção.Preços
Você pode explorar o Mont Saint-Michel com um tour guiado (incluído no seu ingresso) ou pegar um folheto gratuito e fazer meu próprio caminho ao paraíso. Você ainda tem a opção de um Guia em Áudio, que custa 4 euros.
Preços em Fevereiro 2013
- Maiores de 25 anos: € 9
- Não Europeus 18-25 anos: € 5,50
- Pessoas menores de 26 anos e cidadãos da União Europeia ou residentes na França: Gratis
Há mais 4 museus a serem visitados, mas os ingressos não estão incluídos na entrada geral. Não me senti muito encorajada a fazer uma visita. Confira os preços no site